Quem passa hoje pelo Porto da Barra de Itapemirim não imagina o tanto de história que aquele local já viveu. Desde os povos originários, a Foz do Rio Itapemirim vivencia passagens de pessoas, embarcações, trens e até hidroaviões. Essas são algumas das memórias que o projeto “Um cais para o Porto da Barra de Itapemirim: história e memória a partir do arquivo da Família Soares” resgata.
Durante o século XIX, o Porto da Barra de Itapemirim se tornou o mais importante do Espírito Santo, responsável por escoar as produções de açúcar e café, que aqueciam a economia capixaba. Em meados do século XIX o Barão de Itapemirim, principal político e fazendeiro da região, inicia a construção de um Trapiche, que funcionaria como Mesa de Rendas para a província. Ao longo dos anos, várias outras importantes edificações surgiram nas margens do rio Itapemirim.
Simão Rodrigues Soares e Luiz Rodrigues Soares Sobrinho chegam a região na segunda metade do século XIX e no fim desse período, adquirem o Trapiche do Barão e um Casarão as margens do rio. Esses prédios, hoje, são tombados pelo Conselho de Cultura do Estado do Espírito e hoje são Patrimônios Históricos. Os herdeiros desse patrimônio, Coronel José Marques Soares e João Rodrigues Soares, conhecido como Joca, em 1921 montam a firma Soares & Irmão e dão continuidade aos trabalhos portuários da família.
“Os documentos guardados pela família Soares contam mais de um século de história. Com eles é possível voltar no tempo e resgatar o passado glorioso do nosso passado. Me sinto privilegiada por ser a historiadora responsável por contar essa história,” diz Laryssa Machado, coordenadora do projeto.
Os documentos desse período foram guardados pela filha do Coronel José Marques, Ivilisi Soares de Azevedo e compreendem o acervo documental da Família Soares, que foi contemplado com recurso do Funcultura da Secretaria Estadual de Cultura do Espírito Santo. Entre 2024 e 2025 este acervo documental foi inventariado e digitalizado, num total de 634 documentos, entre os anos de 1870 e 2025. São documentos que contam fases da história do Porto da Barra de Itapemirim e dos municípios de Marataízes e Itapemirim.
“Ouvir no presente as vozes do passado é a conexão que nos faz olhar para nós mesmos e reconhecer a nossa identidade”, ressalta Ivilisi.
Esse acervo documental é de fundamental importância para a História do Espírito Santo, pois apresenta documentos inéditos de um acervo particular, de um território pouco estudado. A conclusão desse projeto possibilita que trabalhos em diversas áreas sejam realizados. Os resultados desse trabalho estão no E-book “Um Cais para o Porto da Barra de Itapemirim: história e memória a partir do arquivo da Família Soares”. O link para o download gratuito do E-book, dos documentos digitalizados e do arranjo arquivístico do acervo está disponível no site do Laboratório História, Poder e Linguagens da Ufes.
O projeto é uma realização da Secult através do Edital Funcultura 06/2023 e conta com apoio do Instittuo Histórico e Geográfico de Itapemirim e Marataízes – IHGIM, do Laboratório História Poder e Linguagem da Ufes – LHPL e do Instittuo Histórico e Geográfico do Espírito Santo – IHGES.
O livro “Um cais para o Porto da Barra de Itapemirim: história e memória a partir do arquivo da família Soares”, organizado por Adriana Pereira Campos e Laryssa da Silva Machado, reúne importantes resultados de um projeto de preservação documental sobre a história da região.
A obra apresenta documentos digitalizados, fotografias históricas, relatos de experiência e artigos que analisam o contexto político em que atuou o Coronel Soares, além de detalhar a organização do acervo em cinco dossiês arquivísticos seguindo a norma NOBRADE.
Um trabalho que fortalece a preservação da memória e amplia o acesso de pesquisadores, estudantes e da comunidade à história do Porto da Barra de Itapemirim.
📎 O livro pode ser acessado no anexo abaixo, gratuitamente:

