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Home » Estudo sugere que ter um gato em casa não piora quadro de asma em crianças
Reprodução: Internet
Saúde

Estudo sugere que ter um gato em casa não piora quadro de asma em crianças

AdminPor Admin18 de junho de 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura
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Embora os pelos de animais de estimação tenham componentes alergênicos conhecidamente associados a crises de asma, não é necessariamente a convivência com os pets em casa que agrava os quadros em crianças e adolescentes no curto prazo. Essa é a conclusão de um estudo sueco de coorte que acompanhou por um ano mais de 30 mil participantes.

Os resultados, publicados na revista científica Frontiers in Allergy, mostram que crianças expostas a gatos no ambiente doméstico apresentam níveis semelhantes de gravidade da doença, frequência de exacerbações, controle da asma e função pulmonar quando comparadas àquelas que não convivem com os animais.

Segundo os autores, uma das explicações para os dados observados é que evitar um gato em casa não significa evitar seus alérgenos. Pelos e proteínas produzidas pelos felinos podem ser transportados em roupas, mochilas e objetos, permanecendo em escolas, transportes públicos e outros ambientes compartilhados. Assim, mesmo crianças que não possuem animais domésticos continuam expostas a esses fatores de risco no cotidiano.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias. Segundo a pesquisadora Maria do Socorro Cardoso, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a condição resulta de uma inflamação dos brônquios desencadeada por diversos fatores, entre eles processos alérgicos. Quando ocorre essa inflamação, as vias aéreas se estreitam e passam a produzir mais muco, dificultando a passagem do ar. Os sintomas mais comuns incluem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e cansaço ao praticar atividades físicas.

A pesquisa sueca se concentrou no efeito da doença entre crianças e adolescentes porque a asma é especialmente prevalente nessa fase da vida, quando o sistema imune não está completamente desenvolvido e pode dar respostas exageradas à presença de alérgenos, favorecendo a inflamação das vias aéreas. No caso de algumas pessoas, são os pelos de animais os responsáveis por desencadear essa resposta.

O estudo de coorte incluiu 30 mil crianças e adolescentes, entre 4 e 17 anos, que têm asma ou alergias respiratórias. Os participantes foram acompanhados entre 2023 e 2024. Foram obtidos os registros de diagnósticos, visitas à emergência, medicações prescritas e exames de controle de asma e de espirometria a partir dos Registro Nacional de Pacientes Sueco, Registro de Drogas Prescritas e Registro Nacional de Vias Aéreas. Também foram coletados dados do Registro Nacional de Gatos (obrigatório para todos os bichanos nascidos após 2008 na Suécia).

Para 9% das crianças incluídas na pesquisa, a família teve pelo menos um gato em 2023. Mas, ao comparar os grupos, os pesquisadores não encontraram associação significativa entre a convivência com felinos no lar e a piora do quadro. Casos de asma moderada ou grave ocorreram em 9,6% das crianças expostas aos bichanos em casa e em 10,1% das não expostas. Já as exacerbações da doença foram registradas em 3,3% e 3,5% dos grupos, respectivamente. O número, o sexo ou a idade dos pets também não influenciaram o resultado.

Os pesquisadores destacam uma limitação importante do estudo. Como o Registro Nacional de Gatos da Suécia foi implementado recentemente, é possível que parte das famílias com felinos ainda não estivesse devidamente cadastrada, fazendo com que algumas crianças fossem classificadas como não expostas quando, na realidade, conviviam com gatos.

Além dos animais domésticos, os principais desencadeantes das crises incluem infecções virais, poeira, mofo, fumaça de cigarro, poluição do ar e outras partículas inaladas. Carlos de Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), chama a atenção para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Além de favorecer a dependência de nicotina, os dispositivos liberam substâncias químicas inaladas que podem piorar a inflamação das vias respiratórias.

Um estudo publicado neste ano no Journal of Asthma and Allergy encontrou, por meio de uma revisão bibliográfica e meta-análise, a associação entre o fumo e o desenvolvimento e a exacerbação da asma em adolescentes. Os pesquisadores iranianos constataram que os vapes levaram a uma maior ocorrência de quadros da doença do que os cigarros tradicionais entre adolescentes.

Segundo a professora Laís Nicoliello, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o primeiro passo para controlar a asma é o diagnóstico precoce. Tosse persistente, cansaço e limitação para atividades físicas não devem ser considerados normais em crianças e precisam ser investigados por um profissional de saúde.

No ano passado, a Global Initiative for Asthma (GINA 2025) passou a recomendar o diagnóstico de asma em crianças menores de 5 anos com base em critérios objetivos: episódios recorrentes de chiado, ou pelo menos um episódio de chiado acompanhado de sintomas compatíveis com a doença, como tosse durante atividades físicas, ao rir, ao chorar ou durante o sono; ausência de outras condições capazes de explicar o quadro; e melhora dos sintomas após o uso de medicação para asma.

Além do diagnóstico, o controle ambiental é parte fundamental do tratamento. Evitar a exposição à fumaça de cigarro, à poluição e a outros fatores desencadeantes ajuda a reduzir a frequência das crises.

Do ponto de vista medicamentoso, a terapia inalatória continua sendo a estratégia mais eficaz. Pacientes com episódios recorrentes geralmente precisam utilizar corticoides inalados diariamente para controlar a inflamação das vias aéreas, enquanto os broncodilatadores de curta ação, como o salbutamol, são indicados como medicação de resgate.

A médica também chama atenção para um estigma que ainda cerca o tratamento. Segundo ela, a chamada “bombinha” nem provoca dependência, nem acelera o coração quando utilizada de forma adequada. Pelo contrário, seu uso correto permite que crianças e adultos tenham qualidade de vida e pratiquem suas atividades normalmente.

Outro desafio é a adesão ao tratamento. Como muitos pacientes apresentam melhora dos sintomas, é comum que abandonem a medicação ou a utilizem de forma inadequada, aumentando o risco de novas crises.

Nicoliello ressalta ainda que os principais medicamentos para o controle da asma estão disponíveis gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), tanto nas unidades básicas de saúde quanto pelo programa Farmácia Popular.

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