“Muito antes das ruas, das casas, dos nomes, era ele que ditava o ritmo da vida. E foi dele que nasceu uma das práticas mais antigas da humanidade: o ato de pescar. Um gesto simples, repetido por séculos, lançar-se ao desconhecido e esperar. A pesca sustentou famílias inteiras, deu forma as casas, aos bairros, as histórias que nunca foram escritas. Está nas lembranças, nas conversas e nos sobrenomes. Está sobretudo, no que permanece, mesmo quando tudo parece mudar. É no rangido da madeira, um toque áspero das cordas que a pesca começa. As mãos que preparam são as mesmas que enfrentam. Mãos marcadas pelo tempo, pelo sal, pela repetição. Cada barco carrega mais que do que a estrutura. Carrega a confiança. Cada rede cuidadosamente refeita guarda a esperança de um retorno. Nada ali é aleatório. Existe precisão no gesto. Existe memória no movimento. O saber que não se ensina com palavras, mas com convivência, de pai pra filho, de geração em geração. Em Marataízes, esse gesto nunca foi apenas sobrevivência. Ele moldou corpos, construiu rotinas, atravessou gerações. Aqui, o mar não é paisagem, é origem” (trecho de introdução do documentário “História de Pescador”)
O município de Marataízes possuí muitas vocações: comércio, turismo, agricultura… Uma delas, talvez aquela que tenha sido sua primeira atividade, hoje vem sendo deixada de lado: a pesca. O maratimba herdou a atividade pesqueira dos povos Goytacaz, que habitavam nossa região e eram conhecidos como “homens anfíbios”. A Barra de Itapemirim, antes de receber grandes embarcações que levavam e traziam mercadorias para a cidade, era um porto pesqueiro. O Balneário de Marataízes, antes de ser o primeiro balneário turístico do Espírito Santo, era uma vila de pescadores.
“A pesca é uma das principais atividades econômicas de Marataízes e do Espírito Santo. Até hoje, movimenta milhões de reais. Quantas famílias de pescadores hoje tem filhos doutores, professores, médicos, advogados, e tantas outras profissões formadas. Isso, ao mesmo tempo que revela a glória, mostra fragilidade, pois, quem foi estudar não ficou pra pescar. A atividade hoje é marginalizada. Falar sobre a pesca é abrir os olhos e tocar num tema importante para a economia da cidade, pois é preciso se pensar melhorias nesse ramo para atrair mão de obra e dar a eles boas condições de trabalho e sustento”, diz a professora Laryssa Machado, coordenadora do projeto.
A atividade pesqueira sempre esteve presente em nossos dias. E é essa história que o documentário “História de Pescador” vem contar. O trabalho foi financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc – PNAB – destinados via Edital Público pela Secretaria Municipal de Cultura de Marataízes-ES. O trabalho é coordenado pela professora e historiadora Laryssa Machado, junto com os historiadores Lucas Machado, Luciano Moreno e Otávio Moreno que escreveram o roteiro. A direção e fotografia foram feitas por Otávio Moreno, através da Insihgt Studios. O documentário conta com a atuação de Paulo César Campos da Silva, Afonso Celso Cordeiro Barbirato Júnior e Welinton Mendonça Machado. O documentário está disponível de forma gratuita no Canal do YouTube “Eu na História” – Clique no link: https://youtu.be/rKIEzPejx-s?feature=shared

