Conta simples na mesa.
O Sul tem 400 mil votos. Onde está a nossa representação?
Vamos esquecer, por um momento, partido, ideologia e preferência política. Vamos olhar apenas para os números.
O Sul do Espírito Santo, considerando Litoral, Caparaó e a região de Cachoeiro, teve aproximadamente 400 mil votos válidos para deputado estadual nesta eleição.
Sabe quantos deputados estaduais claramente identificados com uma base eleitoral no Sul foram eleitos? Dois: Peter Costa e Victor Coelho.
Vamos fazer uma conta simples. 400 mil votos para duas cadeiras. Dá uma média de 200 mil votos válidos por deputado eleito. Agora vamos olhar o restante do Estado.
O Espírito Santo teve aproximadamente 2,14 milhões de votos válidos para deputado estadual. Tirando os 400 mil do Sul, sobram aproximadamente 1,74 milhão de votos. Esse restante elegeu 28 deputados.
Fazendo a mesma conta: 1,74 milhão ÷ 28 = aproximadamente 62 mil votos por deputado.
Olha a diferença: Sul: 200 mil votos por deputado.Restante do Estado: 62 mil. Mais de três vezes.
É claro que alguém pode dizer: “Mas deputado estadual não é eleito por região.” E é verdade. A eleição é proporcional. Não existe uma bancada reservada para o Sul. Mas justamente por isso a pergunta fica ainda mais interessante:
O que o Sul está fazendo com os seus próprios votos? Porque eleitor nós temos. Voto nós temos. O que parece faltar é concentração desse voto em candidaturas que tenham força regional suficiente para transformar voto em representação. E aqui está, para mim, o ponto mais importante dessa discussão.
Não estou colocando Júlio da Fetaes nessa conta. Júlio nasceu em Jerônimo Monteiro, mas sua votação mostrou uma característica diferente, muito mais espalhada pelo Espírito Santo, fruto da sua atuação sindical e de sua base eleitoral estadual. Portanto, se estamos tentando medir representação política regional, não seria correto simplesmente contar Júlio como “mais um deputado do Sul”.
Ficam Peter e Victor. Dois deputados para uma região com aproximadamente 400 mil votos válidos. Agora compare isso com outra informação.
No Triângulo do Sul, Kennedy, Marataízes e Itapemirim,, a nossa conta mostrou que aproximadamente 44% dos votos para deputado estadual foram para candidatos ligados ao próprio Triângulo. Isso é muita coisa.
E talvez esteja aí uma pista. A discussão não deveria ser apenas: “Por que o Sul elege poucos deputados?”
Talvez a pergunta certa seja: “Por que o eleitor do Sul distribui tanto seus votos entre candidatos de fora da região?” Porque, no final, os votos existem. 400 mil votos não são poucos votos. A questão é como esses 400 mil votos são distribuídos.
Se o Sul conseguir transformar uma parcela maior desse eleitorado em voto regional, a matemática muda.E isso não é discurso político. É simplesmente olhar para a urna.
O Sul tem eleitor. O Sul tem voto. O que precisamos entender é por que esse voto não está se transformando, na mesma proporção, em representação.

Marcão Vivácqua
Economista / empresário / Servidor Público
Idealizador do Projeto Triângulo do Sul
