Como um deputado estadual pode ajudar Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim a transformar royalties, cooperação e planejamento regional em um novo ciclo de desenvolvimento sustentável
Um projeto de lei para transformar cooperação em política pública
Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim compartilham desafios, oportunidades e um destino regional comum. Nenhuma dessas cidades conseguirá aproveitar plenamente seu potencial se continuar planejando o futuro de forma isolada.
É justamente nesse ponto que a atuação de um deputado estadual pode fazer a diferença.
Uma contribuição concreta seria a apresentação de um Projeto de Lei que institua a Política Estadual de Desenvolvimento Integrado do Triângulo do Sul, reunindo os três municípios em uma estratégia permanente de cooperação regional.
A proposta não retiraria competências das prefeituras nem interferiria na autonomia municipal. Ao contrário: respeitando os limites constitucionais e as atribuições do Poder Executivo, criaria diretrizes para que o Estado atuasse como articulador de políticas integradas nas áreas de infraestrutura, mobilidade, turismo, saúde, saneamento, qualificação profissional, preservação ambiental e diversificação econômica.
O objetivo seria simples, mas transformador: fazer com que decisões públicas deixem de enxergar cada município como uma ilha e passem a considerar a região como um território interligado.
Na prática, a nova política poderia prever a elaboração de um Plano Regional de Desenvolvimento, construído a partir de um diagnóstico comum dos desafios e das potencialidades de Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim.
Esse plano definiria metas, projetos prioritários, responsabilidades institucionais e mecanismos de acompanhamento dos resultados. Em vez de ações dispersas, improvisadas ou dependentes da vontade de cada governo, a região passaria a contar com uma agenda permanente de desenvolvimento.
O projeto também poderia estabelecer diretrizes para a criação de um conselho ou fórum consultivo regional, com participação voluntária das prefeituras, do Governo do Estado, de instituições de ensino, do setor produtivo e de representantes da sociedade civil.
Esse espaço permitiria alinhar prioridades, reduzir disputas, evitar a duplicação de esforços e ampliar a capacidade de negociação dos três municípios diante do Estado, da União e da iniciativa privada.
Entre as ações que poderiam integrar o plano regional estão a criação de uma rota turística conjunta, programas compartilhados de qualificação profissional, o planejamento integrado do transporte intermunicipal e a definição de prioridades comuns para rodovias, saneamento, saúde, defesa civil e proteção ambiental.
No turismo, por exemplo, as três cidades poderiam deixar de competir por visitantes e começar a oferecer uma experiência regional integrada. Praias, patrimônio histórico, gastronomia, cultura, natureza e eventos poderiam fazer parte de uma única rota, aumentando o tempo de permanência dos turistas, fortalecendo pequenos negócios e gerando mais emprego e renda.
Na qualificação profissional, o Estado poderia articular escolas técnicas, universidades, o Sistema S, empresas e municípios para oferecer cursos definidos a partir da demanda real do mercado de trabalho.
Assim, antes mesmo da chegada de uma indústria, de um porto, de um empreendimento energético ou de um grande projeto logístico, os moradores da região já estariam preparados para ocupar as vagas disponíveis.
Sem planejamento, grandes investimentos podem gerar riqueza sem gerar oportunidades para a população local. Com qualificação antecipada, o desenvolvimento deixa de ser apenas uma promessa e passa a produzir inclusão social.
A mesma lógica deve orientar os investimentos em infraestrutura.
Uma obra viária em Itapemirim, por exemplo, não pode ser analisada apenas por seus efeitos dentro dos limites do município. Ela também pode melhorar o deslocamento de trabalhadores de Marataízes, facilitar o acesso de moradores de Presidente Kennedy a serviços públicos e fortalecer o escoamento da produção regional.
Quando o impacto é regional, o planejamento também precisa ser regional.
A proposta poderia ainda determinar que o Governo do Estado considere os efeitos integrados de seus investimentos e priorize projetos capazes de beneficiar simultaneamente os três municípios.
Mais do que criar uma nova estrutura administrativa, a intenção seria construir uma verdadeira política de Estado: permanente, transparente, participativa e orientada por metas.
Governos mudam. Prefeitos mudam. Deputados mudam. Mas os desafios da região permanecem.
Por isso, projetos estratégicos não podem depender apenas de acordos informais ou da boa relação entre gestores de um determinado período. É necessário criar mecanismos institucionais que garantam continuidade ao planejamento, mesmo diante das mudanças políticas.
Com uma iniciativa dessa natureza, o deputado estadual deixaria de atuar apenas na destinação pontual de recursos e passaria a exercer um papel mais amplo: o de articulador de um novo modelo de desenvolvimento regional.
Emendas parlamentares são importantes, mas, sozinhas, não resolvem problemas estruturais. Recursos isolados podem atender necessidades imediatas, porém não substituem uma visão de longo prazo.
O verdadeiro avanço ocorre quando o mandato ajuda a organizar prioridades, aproximar instituições, mobilizar investimentos e transformar potencial econômico em qualidade de vida.
Os royalties do petróleo oferecem uma oportunidade histórica, mas não são infinitos. Se forem utilizados apenas para sustentar despesas do presente, a região poderá perder uma chance que talvez não se repita.
É preciso transformar receitas temporárias em benefícios permanentes: infraestrutura, educação, saneamento, inovação, empregos, proteção ambiental e diversificação econômica.
O Projeto de Lei da Política Estadual de Desenvolvimento Integrado do Triângulo do Sul seria, portanto, mais do que uma proposta legislativa.
Seria um compromisso público com o futuro.
Um instrumento para transformar cooperação em planejamento, planejamento em projetos e projetos em resultados concretos para a população.
Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim já estão ligadas pela geografia, pela economia, pela circulação de trabalhadores e pelos desafios sociais e ambientais.
Falta transformar essa proximidade em força política e capacidade de realização.
Quando três cidades planejam juntas, deixam de disputar apenas recursos e passam a construir oportunidades.
Quando três cidades atuam juntas, ganham mais voz diante do Estado, atraem mais investimentos e encontram soluções mais eficientes para problemas comuns.
E quando os royalties são utilizados com visão de futuro, deixam de financiar apenas o presente e passam a construir uma região mais sustentável, diversificada e preparada para as próximas gerações.
O Triângulo do Sul pode se tornar um exemplo de desenvolvimento integrado para todo o Espírito Santo.
Mas isso exige liderança, articulação política e coragem para pensar além dos limites de cada município.
Três cidades. Um território. Um só futuro.

Maratimba de coração, Philipe Verdan é estatístico, pós-graduado em Políticas Públicas e Sociais, mestre em Auditoria, Compliance e Governança e MBA em Gestão Pública. À frente do Vozes Capixabas, dedica-se a uma cobertura comprometida com o sul do Espírito Santo — unindo dados, memória e território para iluminar caminhos de transformação.
Da política à cultura, do meio ambiente aos projetos sociais, sua linha editorial parte de uma convicção simples: bons governos e comunidades fortalecidas se constroem com informação qualificada e diálogo permanente.
